O Sidur Or Zarua foi criado com um objetivo principal em mente: oferecer uma experiência tão tradicional quanto possível, sem deixar de ser plenamente igualitária. O nussach segue o minhag Ashkenaz e preserva, com cuidado e fidelidade, o texto litúrgico tradicional.
As adaptações igualitárias são poucas e ponderadas. Na Amidá, as matriarcas são nomeadas uma a uma, ao lado dos patriarcas — Elohê Sará, Elohê Rivká, Elohê Rachel, velohê Leá —, o que reflete a convicção de que cada matriarca manteve a sua própria relação de aliança com Hashem. Nas bênçãos matinais, as fórmulas “shelô assáni goi”, “shelô assáni aved” e “shelô assáni ishá” foram substituídas pelas formulações positivas “sheassáni Israel”, “sheassáni ben chorín” e “sheassáni betzalmô”, seguindo a abordagem do movimento Masorti. Para as aliiot à Torá, há também as fórmulas de chamada no feminino.
Vale notar que o texto não acrescenta a palavra isolada “veimahot” depois de “Avot”. Há duas razões para isso. A primeira é gramatical: em hebraico, a palavra avot funciona como um plural genérico, que significa antepassados, e não exclusivamente pais, e as matriarcas já estão compreendidas nela. A segunda razão é ideológica. Alguns estudiosos argumentam que acrescentar “veimahot” cria um problema próprio — ao construir duas categorias paralelas de antepassados, separadas por gênero, coloca implicitamente as matriarcas como um adendo aos “verdadeiros” antepassados, e não como herdeiras iguais da aliança. Nomear as próprias matriarcas, como faz a Amidá, é a correção mais significativa.